Dreamdance não é uma história só minha. Melhor dizendo: as motivações que estão por trás de tudo que escrevo começaram muito antes de qualquer fagulha do que se tornaria, e está se tornando, Dreamdance. Começou quando joguei Vampiro: A Máscara com uns amigos. Todos eram pessoas novas no meu círculo social, que não era tão vasto (eu devia ter meus 14 anos na época), e logo todos se tornaram amigos. Quando resolvemos começar um jogo despretencioso de Vampiro, veio aquele momento que sempre me assombrou nos inícios de qualquer jogo de RPG: a criação de personagem. Nunca tive muito talento pra isso, e foi nessa época que eu comecei a ler. Com o tempo e convivência, minha autocrítica foi aumentando e, ainda sem muita experiência, decidi recuperar um velho personagem de Vampiro que usei em outros jogos com outros amigos, uns dois anos antes desse grupo. Ele era do clã Gangrel, escolha que foi tomada baseada no desenho de Joshua Timbrook de Vampiro 2a Edição. Era um mendigo chamado Abel (irônico, mas eu não era chamado assim quando criei esse personagem). Sem idéias mais agradáveis, decidi reativar o personagem. Dessa vez, ele se chamaria Ian, inspirado num personagem de Witchblade, se não me engano (que eu não lia na época, mas o nome me atraiu por sua pronúnica que eu imaginava ser “Ían”). Na época eu já desenhava, e fiz uns rabiscos por diversão. De mendigo europeu ele passou a índio de alguma tribo norte-americana por causa da história de um amigo, que jogava com a gente. O personagem dele era um pistoleiro espanhol do Velho Oeste e ele propôs que juntássemos as histórias. A princípio, achei ridícula a idéia de transformar meu personagem num nativo norte-americano, mas fui cedendo com o tempo. Deu no que deu: uma história divertida, e depois um prelúdio mais denso narrado por uma amiga nossa, também do grupo, história que foi decisiva pra muitas características do personagem. Muitas sessões e amadurecimentos depois, fomos renovando os personagens, os desenhos continuavam, e então escrevi um prelúdio que já se perdeu mas que definiu muito do que era o personagem no jogo, e do que será o personagem em Dreamdance. Foi assim por quase 4 anos, e os laços criados com nossos personagens se fortaleciam – afinal, a história era boa e nossos personagens eram pessoas assíduas em nossos encontros -, mas por um ou outro motivo não jogamos mais Vampiro, e pouco tempo depois não jogamos mais.
Mas os desenhos continuaram. Uma mudança aqui e ali, e sempre me vinham idéias sobre o que aconteceu ou teria acontecido com Ian. Foi assim por muito tempo, até que decidi entrar ativamente nos quadrinhos. Um ou outro projeto paralelo, poucos concluídos, mas Dreamdance (nessa época eu já tinha esse título em mente) nunca saiu da minha cabeça realmente: algumas pausas longas, normais pra quem tá começando nesse ramo (e pra quem já tá nessa há muito tempo), mas era questão de tempo pra começar. Numa dessas pausas tive um insight. Eu não costumava acreditar muito nessas coisas, mas a trama foi se amarrando em segundos na minha cabeça, em linhas bem gerais. Foi então que tive a idéia original de Errantes, uma história que pegasse o feeling do meu (nosso) antigo personagem de um RPG despretencioso e transformasse isso em algo grande.
Espero que vocês se encantem como eu me encantei e me encanto até hoje. E por mais que este seja um projeto meu, Dreamdance tem outros responsáveis e não é algo novo: já começou há muito tempo e está se aprontando pra nascer.
Até lá… bons sonhos.